Monday, April 24, 2006

Benfica 2005/2006

Depois dos 3 títulos conquistados nos últimos dois anos (Taça de Portugal 2004, Campeonato e Supertaça 2005), não restam dúvidas de que esta época se saldou por uma certa frustração. Propositadamente, não escolhi um adjectivo com uma dimensão mais negativa porque, mesmo assim, entendo que apesar de o SL Benfica não ter ganho títulos, o cenário não é inteiramente desastroso.Não se trata da já proverbial tentação bem portuguesa de enumerar as vitórias morais, mas apenas de salientar alguns aspectos positivos que em definitivo afastam a equipa de algumas épocas terríveis que caracterizaram os anos 90, onde nem sequer se vislumbrava uma pequena hipótese de ganhar fosse o que fosse.Vou evitar uma análise exaustiva ao percurso do Benfica ns várias competições que disputou este ano. Prefiro alinhar alguns aspectos claramente positivos e outros bem menos agradáveis que acabaram por sentenciar o ano em termos desportivos.
1. EXCELENTE
Como se calcula, não haverá muito a dizer neste departamento. As vitórias no Dragão e nos dois jogos contra o Liverpool, e sobretudo o histórico triunfo contra o Manchester United, foram os pontos altos indiscutíveis desta época que faziam prever um outro tipo de impacto nos resultados posteriores. Infelizmente, nenhuma destas vitórias foi suficiente para conquistarmos títulos, apesar do enorme significado do percurso europeu do Benfica, não apenas em termos financeiros (com o respectivo encaixe resultante dos pontos e das receitas) mas também no que concerne ao ranking dos clubes europeus da UEFA (basta dizer que o Benfica passou do 91º lugar de 92 para o actual 18º, recuperando uma imagem de clube de estatuto europeu que os anos mais recentes tinham apagado).
2. BOM
Neste ponto salientamos alguns resultados no campeonato (vitória no Bessa após 10 anos sem ganhar) e outros semelhantes que permitiram ao Benfica lutar pelo título até à parte final do campeonato. Quanto a jogadores, Nelson foi a revelação mais notória, para além de algumas confirmações e MUITAS desilusões - que serão abordadas mais à frente...)
3. MAU
As contratações de Inverno foram inexplicáveis. No ano passado apenas Nuno Assis veio para o clube, para depressa se afundar numa triste vulgaridade. Este ano comprou-se muito, e quase sempre mal... Robert foi uma nulidade (salva-se o golo ao Porto... É muito pouco!), Manduca não brilhou, Marcel na Académica marcava golos sensacionais e de difícil execução, no Benfica nem 1 conseguiu facturar, para além daquele falhanço imperdoável no jogo contra a Naval...). Quanto a Beto, foi simplesmente patético.
O prémio de PIOR EXIBIÇÃO DO ANO vai merecidamente para o jogo Benfica - Sporting... Ainda hoje não consigo explicar tanta inépcia e falta de talento!
Não incluí Koeman em nenhum destes pontos porque o holandês foi desconcertante: em alguns jogos ganhou o jogo a partir do banco e da sua leitura de jogo, noutros foi claramente o responsável pelo descalabro... Será uma incógnita para 2007, caso fique no clube.
No âmbito deste balanço, importa referir que o Porto acaba por ser um justo campeão: depois da derrota na Luz, foi sem dúvida a equipa mais consistente e mereceu o título. No entanto, as circunstâncias que rodearam o jogo Penafiel - Porto foram mais um exemplo da dualidade de critérios que se verifica em Portugal neste tipo de situações: já nem falo do modo como os responsáveis do Penafiel encararam o jogo, com um discurso desmoralizante e resignado perante a inevitabilidade da vitória do Porto, que por si só é vergonhoso e atenta contra a dignidade da equipa. Mas a intervenção do "speaker" do Estádio aos 80 (!!!) minutos, referindo que o Porto ia ser campeão e apelando à não invasão do terreno, QUANDO AINDA ERA POSSÍVEL O EMPATE E CONSEQUENTEMENTE O ADIAMENTO DA FESTA, é verdadeiramente inaceitável!!! Basta imaginarmos o que teria acontecido caso fosse o Benfica na mesma situação!!! Não faltariam os discursos inflamados e as críticas contundentes à passividade do Penafiel... Que diferença de postura em relação ao ano passado, lembram-se? TODOS os clubes que jogavam com o Benfica, fosse qual fosse a sua situação na tabela classificativa, salvos da descida, condenados, candidatos à Europa, candidatos a ficarem onde estavam, TODOS, mas TODOS jogavam como se a própria vida dependesse desse jogo!!! Por outro lado, imaginemos o speaker do Bessa no ano passado a dar o campeonato ao Benfica aos 80 minutos e a pedir para não inadirem o terreno de jogo...
Aperte estes considerandos, a vitória do Porto (repito) é inteiramente justa. O Benfica só poderá queixar-se de si próprio, de algumas exibições, da fraca produtividade de alguns jogadores, da falta de sorte em certos jogos, e sobretudo de não ter conseguido ser consistente e eficaz tal como Adriaanse foi no último terço do campeonato.
A pré - época será crucial para se definirem os contornos da equipa de 2006/2007. Com alguns ajustamentos, acredito que será possível construir um grupo com espírito ganhador que possa novamente conquistar títulos para o fabuloso palmarés do SL Benfica.

JL
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Friday, December 16, 2005

Lapsos proféticos

Ainal o lapso do Jorge teve carácter profético: Anfield Road, pois claro. Tal como ouvi dizer há pouco num restaurante (de Campo de Ourique): "Estão no papo!".
Oxalá esta anónima profecia se cumpra mais uma vez.
Por vezes, há noites feéricas na Luz.
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Friday, December 09, 2005

Correcção

Por lapso, indiquei Anfield Road (Liverpool) como sendo o Estádio do M. United, quando deveria ter referido Old Trafford.
Mil desculpas pelo erro!!! (Obrigado, Luís!!!)

JL
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The Return of the Red Devils

Um Grande Senhor regressa à Europa
O primeiro sinal surgiu em 2004: a vitória na final da Taça de Portugal frente ao FC Porto de José Mourinho anunciava o fim de uma era caracterizada por inúmeras desilusões e contratempos. Em 2005, com a conquista da Super Liga, o País vestiu-se literalmente de vermelho e os nossos adversários tiveram de enfrentar a realidade que tanto temiam: o regresso da espantosa dinâmica de vitória do Benfica e da sua impressionante massa de adeptos.
Este ano o início até nem foi prometedor: Koeman veio para o Benfica com a habitual configuração táctica dos treinadores holandeses, discípulos fieis do grande Rinus Michels: o famoso "rolo compressor" da Laranja Mecânica que encantou o mundo do futebol nos anos 70 e 80. O treinador do Benfica cedo percebeu que para formatar este padrão de jogo precisava de intérpretes superlativos. As equipas holandesas que tiveram a ousadia de praticar este tipo de futebol contavam com jogadores de elevado potencial (basta lembrar o Ajax dos anos 70 ou a selecção holandesa de 74, 78 ou 82). Sem maestros à altura, a sinfonia sai desafinada.
Depois de assimilar a realidade, Koeman redefiniu os parâmetros tácticos que norteavam a equipa e as vitórias começaram (naturalmente) a aparecer.
Nesse período (5 vitórias consecutivas para a Liga) o Benfica também apresentou credenciais europeias: boas exibições na Liga dos Campeões, sobretudo no jogo contra o Manchester em Anfield Road e também em Villareal), o que fazia supor uma época com alguma qualidade e resultados positivos.
Entretanto, uma onda de lesões e sobretudo uma estranha quebra de confiança voltaram a paralisar o futebol do Benfica, que consentiu alguns empates inesperados e uma derrota em Braga. É certo que os adversários ficaram aparentemente esgotados após os embates com o campeão nacional: a Naval somou 4 desaires consecutivos após o empate com o Benfica, e o Braga parece em queda livre depois da vitória por 3-2. São no mínimo curiosos os efeitos colaterais que o SLB provoca nos seus adversários...
E eis-nos chegados ao momento crucial desta temporada: a vitória sobre o Manchester United. Todos perceberam o alcance deste triunfo: desde logo, os nossos adversários... Já soube que adeptos do Porto festejaram efusivamente o golo de Scholes no início do encontro. Nada de anormal, os adeptos do Benfica também fazem o contrário. Mas desta vez estava algo mais em jogo: é que o regresso definitivo do Benfica ao patamar superior do futebol português dependia de 2 factores: de um título nacional (conseguido no ano passado) e de uma PRESTAÇÃO CONVINCENTE na Liga dos Campeões. Por isso doeu tanto a alguns esta vitória... Não foi apenas uma qualificação: foi uma magnífica exibição, uma noite de glória e celebração entre a comunidade benfiquista, em resumo, o despertar definitivo do Benfica para os palcos adequados à sua história gloriosa e à sua inequívoca dimensão universal.
Bem podem agora dizer que o futuro adversário vai ser um colosso da Europa, e que o SLB não vai passar dos oitavos de final... Mas quem pode ficar surpreendido se isso acontecer? Basta comparar os orçamentos dos 7 colossos que ganharam os respectivos grupos para concluirmos que a tarefa vai ser bastante difícil. Mas a história do futebol está repleta de resultados inesperados... Não são os orçamentos milionários que ganham jogos, e o Benfica vai dispor de 180 minutos (ou mais!?!) para desmentir categoricamente esta eliminação anunciada.
Para finalizar este texto, permitam-me alguma maldade: talvez não fosse má ideia contactar o senhor John Dahl Tomasson, o internacional dinamarquês que recusou vir para o Benfica e preferiu o Estugarda: se tivesse tido juízo, estaria agora nos oitavos de final da Liga dos Campeões e não desterrado no 7º ou 8º lugar do campeonato alemão...
Benfica: tens uma oportunidade de mostrar à Europa o valor e a glória do teu nome. O primeiro passo já foi dado.......
JL
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De novo na rota dos grandes

A vitória sobre o Manchester United é o sinal de um caminho que já vinha de trás. Após o consulado negro de Vale e Azevedo e da maior travessia do deserto na história do clube (finais de noventa), vieram finalmente as taças (Camacho), o título (Trapattoni) e agora a entrada na arena de ouro - para já - entre os melhores dezasseis da Europa.
É, pois, a altura exacta para que eu e o Jorge Lopes reactivemos o (felizmente) tão solicitado MaxiBenfica.
LC
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Wednesday, July 27, 2005

Raízes da mística benfiquista

Revi, há dias, as duas finais vencedoras da Taça dos Campeões Europeus (na RTP-Memória). Na segunda dessas finais, Eusébio era ainda um menino vindo há muito pouco tempo dos bairros pobres da então Lourenço Marques. Contudo, o seu génio já aflorava (esteve presente directamente nos dois golos que nos deram a vitória: no 4-3 e no 5-3).
Mas o mais importante para mim está noutra dimensão: na da mística. E essa aparece de onde menos de espera. Mas é fácil recordar: há um momento em que Eusébio atira à baliza com inusitada intenção e força. O então guarda-redes do Real Madrid faz uma defesa impossível. E é nesse momento ímpar, único e inesperado que Eusébio se lhe dirige e o saúda com um aperto de mão solícito e sincero. Esta atitude e esta grandeza excedem o que esperamos da educação, da fidelidade desportiva e do que, hoje em dia, é designado - e bem - por "fair-play". É uma atitude e uma grandeza que estão muito para além disso, pois associam a confiança, a determinação, a entrega total e o génio à compostura e à dignidade que devem constituir a matéria-prima essencial de um grande clube dotado de mística, de arrojo e de - numa palavra - envergadura universal.
É nessa raiz de abertura e nobreza que o Benfica se dissocia das lógicas regionalistas (reduzidas e afectadas na amplitude da sua afirmação), corporativas (quando conotadas com classes sociais exclusivas, ou com outros organismos fechados e limitados), maniqueístas (que não olham a meios) e basicamente intriguistas (dependentes da baixa política do futebolês e dos labirintos burocráticos do futebol) .
É nessa raiz de abertura e nobreza que o Benfica alicerça a sua verdadeira mística (é bom que os benfiquistas saibam exprimir o que sentem e traduzir o que realmente são. Há, afinal, uma herança muito clara que legitima e está presente no nosso entusiasmo de hoje!)
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Tuesday, July 19, 2005

O caso Miguel: arrumando o assunto


O apelo de há oito dias (ver post de baixo) terminou. Vi Miguel singrar no Benfica desde o início, quando os sócios mais aguerridos se juntavam no velho primeiro anel do lado nascente. Vi aí Miguel jogar em zonas do relvado que ainda não eram as suas, mas onde já dava tudo o que podia. Era verdade. Subitamente, no momento em que pela primeira vez é campeão (embora tenha andado muito longe do seu rendimento habitual durante meio campeonato...), bastaram umas tantas alcatruzes e alguns causídicos sombrios e mal formados para conduzir o jogador ao abismo. E agora Miguel? Pela minha parte, adeus.

Mais uma palavrinha: o SCP do senhor advogado Dias Ferreira, tão ético, sempre tão pronto a denunciar o "sistema", tão "gentleman", tão betinho, tão grave, tão sério, tão tudo, no fundo, no fundo, tem um comportamento idêntico ao de Sousa Sintra, quando, contra tudo e contra todos, veio buscar à Luz o pobre do Pacheco e ainda um Paulo Sousa hoje já reformado. Os Benfiquistas não esquecem. Aliás, quem conhece minimamente a história do Benfica sabe que, há um século, aconteceu um primeiro e idêntico roubo de jogadores. E o SCP, mais uma vez, não ganhou nada com isso!.

Miguel: E agora? Pela minha parte, adeus.

Uma última confissão sobre o assunto: durante o passado ano desportivo, fui enviando posts para o blogue do programa da Sic-Notícias, O Dia Seguinte. Fi-lo sobretudo por uma razão de ordem pessoal. É que o apresentador e entrevistador do programa foi meu aluno e tenho por ele grande estima e amizade. Só que, a partir de hoje - e o Mourinho compreenderá a minha atitude de certeza (eu sei porquê) -, e enquanto o Dr. Dias Ferreira se sentar no programa, eu vou deixar de enviar posts. Greve contra o protagonismo dos que clamam pela ética em público e, por trás, são ainda piores que um Sousa Sintra à moda clássica, destemperada e nova-rica.

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Monday, July 11, 2005

Levanta a cabeça Miguel!

"19h28: Futebol/Benfica: Liga e Federação reconhecem válido o contrato de Miguel
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A Liga de clubes enviou hoje ao Benfica e aos representantes de Miguel a certidão na qual considera válido o contrato entre o lateral-direito e o clube da Luz, recebido na Liga a 2 de Dezembro de 2003 para o período entre 2005 e 2008."
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Thursday, July 07, 2005

Frase do dia

«Se o Miguel decidir voltar será bem recebido. Por que é que seria mal recebido? Ele é nosso amigo»
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