Tristes parcialidades
Num bom programa - neste caso, num bom programa sobre futebol - o que é que se espera? Um mínimo de objectividade, cultura do métier, inteligência e flexibilidade na abordagem, informação e seriedade.
Ora bem, há já algum tempo que a conversa em família dos domingos à noite na Sic-Notícias começa a escapar-se, aqui e ali, a estas referências mínimas.
Ontem, Rui Santos, passou o tempo a explicitar preocupações sobre o SCP - o que acontece já há várias sessões, independentemente do ambiente de desfecho da Super-Liga (essa coisa menor, própria de um clube que foi o "menos mau" num "campeonato para esquecer"), limitando-se a soletrar a expressão "famigerado kit", no início da sua abordagem ao Benfica (que, depois, explorou sempre nesse registo).
Poderá Rui Santos ter razão em algumas críticas que faz ao presidente do Benfica. O que não pode é reduzir o Benfica a uma atitude descontextualizada ou a uma campanha conjuntural.
Senão vejamos: o que disse Rui Santos realmente acerca do Benfica?
Sobre o impacto e a natureza do novo treinador, quase nada.
Sobre as expectativas de renovação integrada do plantel, praticamente nada.
Sobre o horizonte de ambição real do Benfica, nada.
Sobre a continuidade da gestão do futebol do clube (goste-se ou não!), rigorosamente nada.
O que em certas alturas é, ou parece ser, material inflamável para reduzir o Benfica a mero objecto de impiedosa crítica transforma-se, nestes momentos de sucesso (não é o Benfica campeão?), em silêncio. Em silêncio puro.
Não, não gosto do estilo de Rui Santos. Espero que as férias grandes renovem o formato do programa que até podia e devia ser de interessante e sério balanço crítico.
